segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Cor de rosa




O milagre do desabrochar de uma mulher sempre acontece num dia comum.

Um dia a gente acorda e se sente mais bonita, mais interessante, mais viva. E dança no meio da sala e canta e dá rodopios. Porque se descobre apaixonada por si mesma.

Essa mágica pode, sim, ter sido provocada por uma pessoa, uma conquista, um sonho que se realizou. Mas pode também ser fruto de um conjunto de coisas inexplicáveis e imensuráveis. São anos e anos de vivências, de altos e baixos que, uma vez equalizados, esticam uma corda sobre a qual nos equilibramos sorrindo. A corda bamba deixa de dar medo. Agora, é uma grande brincadeira.
Toda flor um dia se abre. E só a natureza decide a hora.Mas a gente pode dar uma ajudinha ao processo. É preciso adubar-se, cuidar-se, tratar-se com carinho, conversar consigo mesma. Conhecer os próprios gostos e preferências. Saber-se rosa ou margarida. É aconselhável não se expor demais ao sol, nem tomar chuva em excesso. Evite morar na sombra, procure um lugar com luminosidade abundante. Cerque-se de energias boas. Permita-se ser tocada.

Distribua néctares, compartilhe seu lado doce. Converse com pessoas. Escute o que elas têm a dizer. Absorva o silêncio. À noite, namore a lua. Respire. Ao se olhar no espelho, veja uma mulher linda. Linda por ser única. Acredite, não há ninguém neste mundo igual a você. Você é uma flor rara. E sabe o que é o melhor disso tudo? Você pode ser ainda mais.

Mais bonita, mais alegre, mais feliz. Não há limites senão os impostos por si mesma.

Encha-se de mimos, vestidos, rendas, feminilidade.

Porque a gente dá presentes a quem ama, não dá?

O mundo cor-de-rosa possui infinitas nuances. Descubra a sua. Respeite-se. Aceite-se. Sorria. O desabrochar de uma flor começa pelo abrir-se de um sorriso. É um perigo uma mulher acordar apaixonada por si mesma: pode nunca mais conseguir se desapaixonar.

Essa paixão pode contagiar você.

É só querer.


* Ana Kessler

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